Geologia

Maciço de Morais

O território do Geopark Terras de Cavaleiros encerra um património geológico de relevância nacional e internacional. Um território onde as suas rocha contam histórias com milhões de anos!

A geologia deste território remete-nos para há 540 Ma (milhões de anos), quando se iniciou o Ciclo Varisco. Este ciclo iniciou-se com o desmembramento de um supercontinente e a abertura de um oceano. Este oceano, a que se chamou de Rheic, foi acumulando, ao longo da sua existência, sedimentos oriundos da erosão dos continentes que o marginavam. No entanto como os oceanos são efémeros, estes acabam por fechar quando atingem o seu limite de expansão. Este ciclo terminou, assim, com a colisão de todos os continentes existentes, levando à formação da grande cadeia montanhosa Varisca, edificada entre os períodos Devónico-Carbonífero (380-280 Ma). Esta nova cadeia montanhosa passa, assim, a englobar os testemunhos dos continentes envolvidos neste processo, bem como o oceano que os marginava. Com a colisão de todos os continentes existentes há cerca de 250 Ma forma-se o supercontinente Pangeia, que mais tarde viria a desmembrar-se para dar lugar aos continentes atuais. 

No Maciço de Morais é possível encontrar os testemunhos (materializados pelas rochas) deste choque entre continentes e a consequente formação da cadeia montanhosa Varisca, uma raridade no planeta Terra.

Figura 2 – Posição dos principais continentes há 425 Ma (Adaptado de Meyer-Berthaud et al., 1997)

Figura 3 – Mapa geológico simplificado do Geopark Terras de Cavaleiros. O Alóctone Inferior representa um fragmento da margem do continente Gondwana; o Alóctone Médio ou Ofiolítico representa um fragmento completo de crusta oceânica do antigo oceano Galiza Trás-os-Montes, um ramo menor do oceano Rheic; o Alóctone Superior corresponde a um fragmento de crusta continental do antigo continente Armorica. 

Relevo

A falha da Vilariça, que se desenvolve entre Bragança, Vilariça e Manteigas, corresponde a um grande acidente tectónico, com uma extensão de 250 km. Esta falha, ainda que de baixa atividade sísmica, e foi em tempos atrás responsável pelo sismo de 1858, que destrui a vila de Moncorvo. Associado ao movimento da falha ocorreu o levantamento de blocos (num modelo do tipo push-up) como as Serras de Bornes (1199 m) e a Serra da Nogueira (1320 m) e o abatimento de outros, como as depressões de Santa Combinha, Macedo de Cavaleiros ou da Vilariça.

O Monte de Morais surge como um relevo aplanado, a cerca de 750 m de altitude, e representa parte da Superfície Fundamental da Meseta Norte (Superfície resultante do arrasamento da cadeia montanhosa Varisca).

Figura 4 - Panorâmica da Serra de Bornes.

Drenagem para o interior da Ibéria

Os sedimentos, pouco consolidados, que ocasionalmente cobrem o substrato rochoso antigo constituem testemunhos de um sistema de drenagem anterior ao atual, que drenava para o interior da Península Ibérica, que mais tarde viria a ser capturado pelo Rio Douro e passaria a drenar para o Oceano Atlântico. Este antigo sistema fluvial está representado por antigos vales escavados, que foram preenchidos por diferentes tipos de sedimentos que resultam das condições tectónicas e climáticas do Neogénico.

Figura 5 - Vista Panorâmica do Cabeço Berrão sobre o Rio Sabor.

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